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Começa hoje, em Contagem, o julgamento do goleiro Bruno


Começa às 9h desta segunda-feira, no Tribunal do Júri do Fórum de Contagem (MG), o julgamento do goleiro Bruno Fernandes e de outros quatro réus pela morte da ex-amante do atleta, Eliza Samudio, desaparecida desde junho de 2010. 
Para a Polícia Civil e o Ministério Público, Eliza foi levada a Minas Gerais pelo amigo de Bruno, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e pelo primo do goleiro, Jorge Lisboa Rosa, com a falsa promessa do reconhecimento da paternidade do filho da ex-modelo e um apartamento. A partir daí, Eliza teria sido mantida em cárcere privado no sítio de Bruno em Esmeraldas (MG), até ser levada por Bruno, Macarrão, Jorge e outro primo, Sérgio Rosa Sales, até a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que a teria matado, dado partes do corpo dela a cães e sumido com o restante. Ainda de acordo com a polícia, a intenção do grupo era matar também o filho de Eliza, mas Bruno teria intercedido.
Bruno e Macarrão vão sentar no banco dos réus para responder pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado. Bola também responderá pelos mesmos crimes e por ocultação de cadáver. As ex-mulheres do goleiro, Dayanne do Carmo (legítima) e Fernanda Gomes Castro (amante) serão julgadas pelos crimes de sequestro e cárcere privado. Os júris de Wemerson Marques Souza, o Coxinha, e de Elenílson Vítor da Silva, também acusados no processo, foram desmembrados e serão realizado no ano que vem.
O júri popular será um teste de resistência para todos os presentes no plenário, que vai ser totalmente ocupado por, pelo menos, 100 pessoas. Destas, 42 são jornalistas. O restante dos lugares está reservado para familiares. A previsão é a de que o julgamento dure três semanas e que os réus conheçam o resultado proferido pelo conselho de sentença por volta do dia 7 de dezembro. A mãe de Eliza Samudio, Sônia de Fátima Moura, veio do Mato Grosso para acompanhar o júri. "Quero que eles revelem onde está o corpo da minha filha. Eu tenho o direito de enterrá-la", clamou.
Dos 25 jurados pré-selecionados, sete foram sorteados no final da semana passada e já ficaram isolados em um hotel de Contagem, cada um acompanhado de um oficial de Justiça. O prédio do Fórum Pedro Aleixo passou por uma pequena reforma para abrigar o júri. Foram feitas adequações no forro, que tinha infiltrações, e o aumento das instalações elétricas. Desde a última quinta-feira, o local teve também a vigilância reforçada.
O júri será presidido pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que por várias vezes bateu boca com os advogados nas audiências de instrução e também no julgamento de Bola pela morte do carcereiro. Os advogados afirmam que Marixa não poderia presidir o júri, já que o crime teria sido, segundo a polícia, em Vespasiano, uma outra comarca. Com pulso forte, a magistrada passou por todas as turbulências nos dois anos e meio de duração do processo e agora tentará encerrar o ciclo com o júri popular.
A acusação
O promotor de Justiça potiguar Henry Wagner Vasconcelos Castro terá a missão de acusar os réus e provar que Eliza foi morta a mando de Bruno por Bola. Macarrão seria o intermediário, que contratou o ex-policial. Quanto ao restante dos envolvidos, cada um teve uma missão na trama, segundo o MP, que vão desde o sequestro no Rio de Janeiro até o cárcere privado no sítio em Esmeraldas e os cuidados com o bebê de Eliza, que atualmente mora com a avó no Mato Grosso.
Para a empreitada, Castro arrolou cinco testemunhas de defesa. O promotor tentará convencer os sete jurados de que o primo de Bruno, Jorge Lisboa Rosa, contou a história verdadeira sobre a trama. Como o rapaz está sob proteção do Estado, caberá à delegada Ana Maria Santos e a uma oficial de Justiça que acompanhou o depoimento do rapaz em 2010 confirmar o conteúdo.
O promotor terá o auxílio de dois assistentes de acusação, um deles o advogado José Arteiro Cavalcante Lima, que representa a mãe de Eliza, Sônia de Fátima Moura. Arteiro é desafeto de Ércio Quaresma, a quem chama constantemente de "bandido", e por dezenas de vezes deu declarações dizendo que não tem dúvida da culpa de Bruno e todos os outros réus. Além disso, Arteiro tem sido o único a insistir que Bola teria matado Eliza com a ajuda de um policial civil que não foi indiciado pela PC e pelo MP.
Para Arteiro, "o Gustavo Fantini (primeiro promotor do caso), se omitiu e não corrigiu o que a polícia deixou de fazer. O MP ignorou as mais de 20 ligações de telefone entre o Bola e o José Laureano, o Zezé. O Bola não matou e sumiu com a Eliza sozinho", disse. Mesmo com a suposta omissão denunciada por Arteiro, o advogado acredita que todos os réus serão condenados. "Eu vou arrebentar com o Bruno, ele é um assassino frio que precisa pagar pelo que fez", disse.
A defesa 
Os mais de 20 advogados de defesa dos réus arrolaram 25 testemunhas, e uma delas possivelmente será o jornalista José Cleves, ex-repórter de um jornal de Belo Horizonte que, na década de 90, foi acusado de matar a mulher. O delegado Edson Moreira, o mesmo que chefiou a investigação da morte de Eliza, foi quem investigou o crime na época. Depois que Cleves foi absolvido, o delegado foi acusado de plantar provas para incriminar o jornalista.
Desta vez, os advogados do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos também acusam Moreira de plantar provas falsas, como uma fralda de bebê supostamente encontrada num motel onde Bruno, Fernanda, Macarrão, Jorge e Eliza ficaram após chegarem do Rio de Janeiro, e ainda incriminar Bola por "perseguição pessoal", como já declararam várias vezes Zanone Manuel e Ércio Quaresma. Moreira sempre negou estas hipóteses.
O depoimento do delegado deverá ser o mais longo do julgamento, já que os advogados prometem revezar o interrogatório. Segundo o terceiro advogado de Bola, Fernando Magalhães, o depoimento durará "no mínimo três dias". O defensor confirmou ao Terra não receber nada para defender o cliente. "É a defesa pró-bônus, para a exposição na mídia. No júri que o Bola foi absolvido (pela morte de um carcereiro) eu cobraria dele R$ 100 mil, é o valor da causa. Nesse, da Eliza, este valor quintuplicaria", revelou Magalhães.
Além da tentativa de desqualificar as investigações, os advogados insistirão na tese de que Eliza está viva, segundo Rui Caldas Pimenta, defensor de Bruno, "provavelmente trabalhando como atriz pornô em algum país do leste europeu, depois de ter saído do Brasil pela fronteira da Bolívia, levada pelo padrasto de Bruno" disse Pimenta recentemente, após mudar a estratégia defendida anteriormente, de que "Eliza realmente foi morta, mas por ordem de Macarrão, que seria gay e amava Bruno, que não sabia da intenção do amigo". Por conta dessa declaração, Macarrão acionou judicialmente Pimenta, exigindo retratação e R$ 1 milhão de indenização.
Fonte: Jornal Brasil

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