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Homem que vendeu a mesma casa para várias pessoas presta depoimento e acusa companheira


Delegado Antônio Rondon Junior investiga o caso de perto (Paula Pessoa)

Apresentaram-se para prestar depoimento nesta quarta-feira (9), no 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Carlos Alberto Gonzaga dos Santos e Lúcio Flávio Cordeiro Ribeiro. Gonzaga é acusado, junto com a companheira Kézia Macedo da Silva, de participar da venda ilegal de uma mesma casa – localizada no Tarumã, Conjunto Cidadão 10, Zona Norte de Manaus – para pelo menos 19 pessoas.  Já Ribeiro supostamente chegou a se apresentar para as vítimas como advogado do casal. Durante o depoimento, o suposto estelionatário admitiu que a casa está em seu nome e acusou Kézia.  
Ao delegado Antônio Rondon Junior, Carlos Alberto reconheceu que o talão de cheques, usado para passar as somas de ‘ressarcimento’ a algumas vítimas do golpe eram dele, mas que Kézia agiu à sua revelia.
“Ele afirmou que Kézia comercializou ilegalmente a residência em questão sem o seu conhecimento. Somente quando o advogado de uma vítima lhe telefonou foi que ele soube. Foi então que em novembro (2012) após confrontar a companheira, ela lhe disse que havia vendido a casa para dezenas de pessoas e que iria fugir com o dinheiro e o filho recém-nascido deles”, comentou o delegado.
 Gonzaga, como é conhecido, ainda admitiu que não é corretor credenciado, mas que trabalha com venda de imóveis desde que ficou desempregado. Apesar de negar veementemente qualquer envolvimento no golpe, ele deixou uma pergunta sem resposta: qual o motivo dele ter um imóvel e preferir pagar aluguel?
“O senhor Gonzaga disse ter sido contemplado com a residência em agosto de 2011, mas saiu de lá em maio de 2012 para morar de aluguel. O motivo seria a construção de uma laje. É estranho uma pessoa preferir pagar aluguel em outro local e ainda gastar dinheiro com obras”, comentou o delegado.
Os cheques expedidos por Gonzaga passarão por uma perícia grafotécnica para saber se a letra do preenchimento de valores e a assinatura são dele ou de outra pessoa.
 Kézia Macedo está sumida e é procurada pela polícia para prestar esclarecimentos sobre o caso. Todas as vítimas devem voltar ao DIP em alguns dias para poderem reconhecer formalmente os acusados do crime.
Procurador do casal
Lúcio Flávio Cordeiro Ribeiro intermediava diversas conversas entre o casal e as vítimas. Segundo elas, ele se apresentava como advogado, mas ao delegado admitiu ainda ser um estagiário certificado da Ordem dos Advogados do Brasil seccional do Amazonas (OAB/AM).
“Flávio disse que agia apenas como procurador de Kézia e Gonzaga, atribuição que é legalmente aceita no estatuto da OAB, desde que esteja sob a supervisão de um advogado certificado na ordem”, comentou Antônio Junior.
R$ 250 mil
Ao todo, 19 vítimas queixaram-se formalmente contra o casal no DIP, segundo informações de Antônio Júnior, outras duas não realizaram boletim de ocorrência, mas fora ao DIP para informar que também haviam sido lesadas com o golpe e obtiveram seu dinheiro de volta.
“Somando todas as vítimas deste golpe, contabilizei que Kézia arrecadou o montante de R$ 250 mil em dinheiro vivo. Ela não deve ter esta quantia toda agora, pois há relatos que ela chegou a devolver certa soma para uma e outra pessoa. Para uma ela chegou até a pagar três meses de aluguel, pois esta não tinha onde morar”, disse o delegado.
Vítimas também tem culpa
O delegado afirma que estelionatários agem vendendo facilidades para suas vítimas, e alerta as pessoas para o golpe. “A vítima, em muitos casos, é a primeira culpada. Cega pelo preço e pela facilidade apresentada pelo estelionatário ela deixa de enxergar o óbvio, que há algo de ilegal na transação firmada entre as partes”, finaliza.
Fonte e foto: BRUNO STRAHM  do  A Critica

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