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Mamurú está sendo devastado por madeireira do Pará, grita interiorano

Balsas lotadas com madeiras - Foto: Pedro Esteves
“...Ai, ai, que dor, ai, ai, que horror. O meu pé de sapopema, minha infância virou lenha, ai, ai, que dor...”. Esses são trechos da música ‘Lamento de Raça’ do compositor parintinense, Emerson Maia, que nessa bela composição alerta a humanidade para que não haja “nada de queimada ou derrubada” pois “matar a mata, não é permitido”, e pelos relatos de moradores das regiões do Uaicurapá, Mamurú, Paraná do Ramos e Zé Açú, as letras da música retratam os sentimentos deles que hoje gritam aos órgãos ambientais para que cumpram seus deveres e impeçam as derrubadas de árvores que vem ocorrendo maciçamente na região do Mamurú, por madeireiras paraenses.

Segundo denúncias feitas à redação do Gazeta Parintins, por um cidadão que pediu para ter o nome preservado, os agentes do Instituto Brasileiro e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Parintins, (distante 369 km de Manaus-AM), tem conhecimento das derrubadas que vem ocorrendo na região, mas diz não saber como os mesmos não agem para impedir o crime contra a natureza. Ainda segundo o denunciante, na manhã de sábado, 12 de dezembro, 3 balsas saíram livremente do rio Mamurú pelo Paraná do Ramos até o rio Amazonas e prosseguiram rumo ao Estado do Pará, lotadas de madeira.

“O Mamurú está sendo devastado por madeireiras do Pará. Eu mesmo por várias vezes já procurei o Ibama para denunciar o crime que acontece lá, mas eles, não sei porque não fazem nada. O crime praticado por essas empresas não é só contra a mata não, é contra cada um de nós que moramos e precisamos daquela floresta para sobreviver e dar de comer pros nossos filhos. Antes era fácil fazer um casco, pegar uma caça. Agora, se quisermos uma madeira pra fazer uma canoa dificilmente encontramos, pra achar tem que ir muito longe, assim também pra caçar. Os bichos fugiram, tudo ficou difícil”, lamenta o interiorano.

O empresário Pedro Esteves (o Pedrão) que passava no Paraná do Ramos no sábado, no momento do fato, por volta de 10hs, também se disse indignado com o que viu. E taxou o ato de crime bárbaro contra o meio ambiente. Ele afirma ter mantido contato com a agência local do Ibama pedindo para que as balsas fossem fiscalizadas, mas recebeu de resposta que o carregamento de madeira estava legal. “Eram três balsas e dois rebocadores. Cada balsa levava no mínimo 60 metros cúbicos de madeira. Um verdadeiro crime”, enfatiza Esteves.

Pedro lamenta que os fatos na região do Mamurú estejam na contramão do acordo histórico fechado no sábado (12) em Paris por autoridades de mais de 150 países, que aceitaram agir contra as mudanças climáticas para tentar estabilizar a temperatura da Terra. Ele espera que os esforços de milhares de pessoas pelo mundo para que deixem de usar combustíveis fósseis e principalmente não ocorra o desmatamento da Floresta Amazônia, possam sensibilizar empresários e autoridades brasileiras. “Espero que os esforços de milhares de pessoas pelo mundo sensibilize madeireiros e autoridades brasileiras e também vejam que a Amazônia é considerada o pulmão do mundo”, apela Pedrão.

Nossa reportagem foi até a agência do Ibama, onde conversou com o fiscal ambiental, Joel Araújo. Ele reafirmou que o carregamento de madeira que passou no sábado estava legal e pertencia a duas empresas que atuam na área das comunidades Mocambo e Betel. Uma das empresas ele identificou como Rondobel Florestal, mas da outra ele não soube dizer o nome.

Joel relata que uma das empresas atua em um Plano de Manejo Florestal no Planalto Mamurú e outra, em uma Concessão Florestal emitida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Estado do Pará.

Araújo relata também que após muitas denúncias de moradores daquela região enquanto a derrubada de arvores, ele e outros agentes realizaram uma fiscalização rápida nas empresas. E que um dos responsáveis pelas empresas, que ele identificou como Cícero Irisvan Furtado, veio até o Ibama, munido de documentações que autorizava a derrubada das árvores e o transporte da madeira.

“Após muitas denúncias, constatamos realmente que haviam as balsas carregadas de madeiras. Mas analisando as guias, já que no Pará eles usam Guia Florestal (GF), diferente do resto do País que utiliza o Documento de Origem Florestal (DOF), constatamos que a madeira tinha cobertura de documentos. Claro que fizemos uma vistoria rápida, mas as empresas trabalham de forma legal e não pudemos interferir nesse transporte. As empresas estão legalizadas com suas licenças e guias florestais”, finaliza o agente ambiental.

Por: Ataíde Tenório
http://www.gazetaparintins.com.br

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